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sábado, junho 05, 2010

Mãe de Isabella pede R$ 100 mil de indenização por livro de Sanguinetti - Mãe de Isabella vai à Justiça contra livro que trata morte como acidente doméstico

Mãe de Isabella pede R$ 100 mil de indenização por livro de Sanguinetti

Ação de danos morais quer impedir publicação e comercialização de obra.
Médico alagoano aponta pedófilo como assassino em livro não lançado.

Kleber Tomaz Do G1 SP
Imagem de livro sobre caso IsabellaImagem de novo livro sobre o caso Isabella
(Foto: Divulgação)
Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, assassinada em 29 de março de 2008, entrou na Justiça de São Paulo com uma ação indenizatória por danos morais no valor de R$ 100 mil contra o médico alagoano George Sanguinetti por causa do livro “A morte de Isabella Nardoni - Erros e Contradições Periciais”, que ele escreveu e pretende publicar ainda este ano. A obra, que não teve a autorização da família Oliveira para ser feita, inocenta o casal Nardoni, condenado em março deste ano pela morte da menina, e diz que o assassino foi um pedófilo não identificado. O processo está em segredo.
O G1 apurou que o processo entregue na segunda-feira (24) no Fórum de Santana, na Zona Norte da capital, quer impedir a publicação, divulgação e comercialização da obra literária sob a justificativa de que ela agride a memória da menina morta aos 5 anos de idade e também causa constrangimento à sua mãe. Por telefone, a advogada de Ana Oliveira, Cristina Christo Leite, confirmou à reportagem ter entrado recentemente com uma ação, mas não quis dar mais detalhes sobre ela ou comentar o assunto.
Em 87 páginas, o livro de Sanguinetti discorda da decisão dos jurados. O casal Alexandre Nadoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta de Isabella, foi condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte da menina. Ambos dizem ser inocentes. O texto, ao qual o G1 teve acesso, critica o trabalho dos peritos e volta a reafirmar a existência de uma “terceira pessoa”, mas, desta vez, “revela” que o criminoso é, na verdade, um pedófilo, que abusou sexualmente da garota e a matou.
Procurado pela reportagem, Sanguinetti afirmou que vai esperar ser comunicado oficialmente pela Justiça para informar quais medidas irá tomar sobre a ação que quer barrar seu livro. O autor, no entanto, diz que não quis ofender nenhum familiar da menina.
“Ainda negocio o lançamento do livro com editoras, mas garanto que não há nenhuma alusão que denigra a imagem de Isabella ou sua família. Insistirei na publicação do livro e irei para qualquer tribunal. Estou fazendo o que meu país me permite: a liberdade de expressão. Responsabilizo-me pelo que escrevi. Fiz uma análise meramente técnica de um caso de grande repercussão. E reforço que não precisava pedir aturorização da família porque é um caso público”, declarou Sanguinetti, que já chegou a ser contratado pela família Nardoni para analisar os laudos periciais sobre a morte da menina.
Imagem de livro sobre caso Isabella Pedófilo (Divulgação)
Fotos de Isabella e bonecaNão é a primeira vez que Ana Oliveira entra com uma ação na Justiça contra um livro sobre o caso Isabella. Em junho de 2009, o gaúcho Paulo Papandreu, que também é médico, publicou “Isabella”, que apresentava outra explicação para a morte da garota: “acidente doméstico”. Segundo ele, a garota caiu sozinha do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.
O livro, que exibia uma foto de Isabella, não agradou a mãe da menina. Ela entrou com uma ação contra as imagens e o conteúdo da publicação. Em outubro, uma decisão judicial proibiu a venda e determinou o recolhimento dos 10 mil exemplares. O processo, no entanto, só será concluído após a sentença. Cerca de R$ 200 mil foram pedidos de indenização. Se a causa for ganha, a mãe de Isabella disse que doará o dinheiro a uma instituição de caridade.
Precaução
Ganhador do prêmio Jabuti de literatura de 1998 pelo livro “A Morte de PC Farias: O Dossiê de Sanguinetti”, o médico alagoano disse que ainda teve a preocupação de não exibir nenhuma foto de Isabella neste novo livro que trata do caso. “Me precavi. O primeiro passo foi o de não colocar nenhuma foto de Isabella, qualquer citação da família dela ou cópia de documento original do processo. Faço linguagem técnica a partir de achados. A polícia e a perícia deveriam ter investigado uma terceira pessoa”, disse.
“A morte de Isabella Nardoni - Erros e Contradições Periciais” contém fotos de uma boneca para representar a menina e desenhos feitos à mão de um suspeito, apontado como o pedófilo. O restante das páginas é de cópias de documentos de pareceres que Sanguinetti já fez sobre o caso.
“Sim, quem matou Isabella foi um pedófilo. As lesões encontradas no seu órgão genital são iguais a de uma criança abusada sexualmente. Ela caindo sentada, como afirmou a perícia paulista, não teria lesões como as que ficaram em seu corpo”, afirmou Sanguinetti. Os peritos dizem que as lesões na genitália são decorrentes da queda do sexto andar.
Imagem de livro sobre caso IsabellaBoneca representa Isabella no livro (Foto:Divulgação)
Leia abaixo o trecho do livro no qual ele tenta reproduzir como Isabella foi morta possivelmente por um pedófilo:
A provável e talvez única motivação para o crime, para que ela fosse jogada do 6º andar do Edifício London foi desviar o foco do atentado sexual. Para que não fossem descobertas as lesões na genitália de Isabella e também impedir o reconhecimento do pedófilo. Acredito que a menor estava adormecida na cama, quando o infrator baixou a calça e a calcinha e a vulnerou com toques impúdicos, dedos, manuseios, etc. Ela acorda e grita papai...papai...papai e para...para..para, como foi descrito por testemunhas que ouviram os gritos de Isabella, audíveis até no 1º andar e no edifício vizinho. Os depoentes que ouviram os gritos, testemunharam que foram minutos antes da precipitação. Na tentativa de silenciá-la, de ocultar a tentativa de abuso sexual, a menor é jogada para a morte. Quando iniciei meus trabalhos, relatei meus primeiros achados e divulguei: ‘procurem o pedófilo, procurem o pedófilo,’ mostrando a causa real da morte de Isabella. No prédio ou nas cercanias, havia alguém com antecedentes de pedofilia? Os que trabalharam anteriormente foram investigados sob esta ótica? Repito: ‘Procurem o pedófilo! Procurem o pedófilo.’”, escreve Sanguinetti.

Isabella Nardoni morreu no dia 29 de março de 2008. Nardoni foi sentenciado a 31 anos, 1 mês e 10 dias; Jatobá, a 26 anos e 8 meses de prisão. Os dois estão presos em Tremembé, a 147 km da capital paulista. Eles sugerem que alguém entrou no apartamento enquanto Isabella dormia sozinha e a matou. Roberto Podval, advogado do casal, entrou com pedido na Justiça pedindo a anulação do júri. A solicitação será julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Caso seja negada, a defesa poderá recorrer a outras instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.






FONTE DA MATÉRIA ACIMA: SITE  G1










TENHO APENAS UMA RESSALVA A FAZER  NA MATÉRIA ACIMA. 
A TÍTULO DE INFORMAÇÃO, CONFORME O PROCESSO DE Nº 001.09.138365-0, O VALOR DA AÇÃO NÃO É DE R$ 200.000,00(duzentos mil reais), O VALOR DA AÇÃO É DE R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

 

Mãe de Isabella vai à Justiça contra livro que trata morte como acidente doméstico

Ação por danos morais foi enviada na terça à Justiça, diz advogada.
Autor fala em acatar decisão judicial; ele quer distribuir obra como panfleto.

Kleber Tomaz
Do G1, em São Paulo

Capas da primeira e segunda edição do livro do gaúcho Paulo Papandreu (Foto: Kléber Tomaz/G1)

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, morta em 29 de março de 2008, entrou na Justiça com uma ação indenizatória por danos morais para retirar do mercado e impedir qualquer publicação nova do livro “Isabella”. O livro, que teria chegado a 10 mil cópias e tem na capa a foto de Isabella que não foi autorizada pela família, discorda da versão de assassinato apresentada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, inocenta o casal Nardoni e defende a tese de acidente doméstico para explicar a morte da menina.

Leia nota de repúdio da mãe de Isabella sobre o livro


De acordo com a advogada da família Oliveira, Cristina Christo, o documento da ação foi enviado nesta terça-feira (29) ao Fórum Regional de Santana, também na Zona Norte da capital paulista.

A ação é contra o autor do livro, o escritor e médico gaúcho Paulo Papandreu, de 53 anos, e a editora e gráfica Pallotti, de Santa Maria (RS), que fez a impressão do material. Um juiz será designado para analisar o pedido e depois dará sua decisão, ainda sem prazo para que isso ocorra. Caso sejam condenados pelo dano, o juiz irá estipular o valor da indenização para a mãe de Isabella.


No dia 15, o G1 publicou reportagem sobre o livro ‘Isabella’. Papandreu sugere em seu livro que a menina, então com 5 anos, caiu sozinha da janela do sexto andar do apartamento do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, onde moravam Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente, pai e madrasta da garota.  A publicação do livro ‘Isabella’ não agradou Ana Carolina, segundo sua advogada.

“É bom salientar que foi a dor e o inconformismo da família Oliveira ante a falta de respeito à memória da Isabella que deu ensejo à ação de danos morais. Ana Carolina fez questão de assinar em conjunto comigo a peça inicial, como forma de confirmar o seu repúdio ao livro ‘Isabella’, que é recheado de inverdades”, disse ao G1 nesta quarta-feira (30) Cristina Christo

Publicado em junho deste ano no Rio Grande do Sul, “Isabella” poderia ganhar também uma versão nacional com o título “Caso Isabella: verdade nova”, conforme disse Papandreu no dia 15.

 Versão oficial 

Para a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público, Isabella foi vítima de homicídio. Para a perícia do Instituto de Criminalística (IC), que embasou a acusação da Promotoria, os assassinos são Alexandre Nardoni e Anna Jatobá. Eles teriam matado a menina após uma discussão. Isabella foi encontrada morta no terraço do edifício do casal.

O casal nega o crime, afirma que um suposto assaltante seria o assassino de Isabella. O promotor Francisco Cembranelli, no entanto, discorda. Para ele, Jatobá esganou a enteada e Alexandre a jogou pela janela. Denunciados à Justiça, os dois estão presos preventivamente e devem ir a júri popular em 2010.

Nas 128 páginas de seu livro, Papandreu, que tem 53 anos e é médico, busca derrubar a tese da polícia paulista. Para chegar à tese de acidente doméstico, ele disse que procurou por conta própria todos os envolvidos no caso, mas não falou com o casal.

Para o promotor Cembranelli, o livro de Papandreu é “sem pé nem cabeça”. Além de “Isabella”, o médico George Sanguinetti também afirma estar escrevendo um livro sobre o caso, no qual defende a tese da terceira pessoa. De acordo com o promotor, os livros não atrapalharão o andamento do processo criminal.


Acidente doméstico
 



A tese de acidente doméstico defendida por Papandreu jamais foi levada à frente pelos ex-advogados dos Nardoni, que insistiam em que uma terceira pessoa teria matado Isabella. 

O atual advogado de Alexandre e Anna Jatobá, Roberto Podval, não descarta a possibilidade de uma outra pessoa ter cometido o crime, mas agora também acredita na hipótese de acidente doméstico. No domingo (27), a defesa falou ao Fantástico pela primeira vez, sobre isso. Segundo essa tese, Isabella poderia ter se assustado ao acordar e ver que estava sozinha. Ela, então, teria cortado a rede e caído, na tentativa de encontrar alguém da família.


Outro lado

Procurado para comentar o fato de a advogada da família materna de Isabella ter entrado com uma ação contra a venda de seu livro, Papandreu disse nesta quarta-feira (30) que vai “fazer o que a Justiça determinar”. “Se [a ação] for por causa da foto da Isabella, que é de domínio publico, eu a tiro do livro”, completou o escritor. “A foto da menina apareceu em todas as mídias do país”.

Papandreu rebateu a crítica da advogada de que o livro fere a memória de Isabella. “Mais ferida a memória está agora porque vai querer valer a tese de que o pai e a madrasta mataram Isabella”.

O médico escritor também afirma que se seu livro for proibido pela Justiça por causa da tese que escreveu, a nova defesa do casal Nardoni também não poderá usar a hipótese de acidente doméstico no júri.

Ainda nesta quarta, após ter sido informado da ação contra ele, Papandreu informou que pretende agora distribuir seu livro em São Paulo como panfleto. “Tenho 3 mil livros num hotel na Rua Augusta e vou distribuí-los como panfletos para taxistas no Largo São Francisco”, disse. O médico alega que bancou todo o custo da impressão, mas não revela o valor. Informa também que estava vendendo cada exemplar por R$ 19.

Também procurada para comentar o assunto, a gráfica e editora Pallotti informou , por meio de um de seus sócios, Reik Burin, que “recebe encomendas de cinco a seis livros de títulos por dia. E que somente os imprime. A gráfica informa que não fiscaliza o conteúdo e nem participa da distribuição do livro. A distribuição e responsabilidade pelo livro compete somente ao autor”.


FONTE DA MATÉRIA ACIMA: SITE G1

Processo que proibiu  a circulação do livro sobre o acidente doméstico. O valor da ação é de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais)
 
Dados do Processo
Processo 001.09.138365-0 Segredo de Justiça
Classe Procedimento Ordinário (Área: Cível)
Assunto Direito de Imagem
Distribuição Livre - 30/09/2009 às 09:03
1ª Vara Cível - Foro Regional I - Santana
Local Físico 04/05/2010 05:06 - Mesa do Chefe - seção 2
Juiz Edmundo Lellis Filho
Valor da ação R$ 500.000,00
Partes do Processo (Principais)
Participação Partes e Representantes
Reqte A. C. C. de O.
Advogada CRISTINA CHRISTO LEITE
Reqdo P. R. P. Advogada VANESSA APARECIDA PRATES (e outro)
Advogada V. A. P.
Movimentações (5 Últimas)

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